Spoilers, Sweetie! S08E07 – Kill the Moon

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Trilha sonora ~eclética~ do dia: 1) Lua vai, iluminar os pensamentos dela, não, pera. 2) Ziggy Stardust and the spider from… the moon.

Ok, nós vamos ter que entrar em acordo para que a crítica de hoje funcione. Nem que a gente tenha que fazer terapia em grupo: Doctor Who não é uma série de Ficção Científica. Agora repitam comigo, como um mantra e, em caso de ataque de pânico ou ansiedade, repitam de novo, quantas vezes forem necessárias: Doctor Who não é uma série de Ficção Científica. Estou dizendo uma obviedade? Sim, estou. Mas é que se ignorarmos essa premissa, as chances de descartar um episódio como Kill the Moon são altas.

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Em certo sentido é mais fácil ignorar a ~ciência da zoeira~ que explica viagens no tempo, baleias espaciais, loopings temporais que modificam a relação de causa e efeito, bombas autoconsciencientes. No entanto, quando mexem com a meia dúzia de coisas que a gente conseguiu enfiar na cabeça durante a época da escola, sentimos que estão indo longe demais. Mas: Doctor Who não é uma série de Ficção Científica. De fato, para provar um ponto e avançar com o plot, vai chutar o balde da verossimilhança e vamos ter de lidar com o produto. Segue uma lista (provavelmente incompleta) de coisas para as quais nem adianta levantar a sobrancelha nesse episódio.

1) Organismos unicelulares daquele tamanho, ainda que proporcionais ao ovo? Só consigo pensar que esse seria o Pior Caso de Botulismo de Todos os Tempos.

2) Ovos não ficam mais pesados depois de postos. O embrião cresce a partir dos nutrientes do ovo, ele não tira simplesmente massa do além. E nenhum bicho que acabou de eclodir consegue colocar outro ovo do mesmo tamanho do ovo original: entre maturidade sexual, fecundação e uma tecnologia gallifreyana para fazer essa casca maior por dentro… isso é muito, mas muito errado!

3) Cê jura que deu para ouvir da Terra o grito do recém-nascido?

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Dito isso, vamos ao plot. Courtney está se sentindo mal porque o Doutor não disse que ela era um floquinho de neve único e especial, mas uma criança comum (quando? No backstage de The Caretaker? Enfim, não sabemos) Sabe aquele papo motivacional do décimo primeiro em A Christmas Carol (S06E00) sobre como ele estava viajando há 900 anos e não havia conhecido ninguém que não fosse importante? Bem, o décimo segundo não tem tempo para isso. Como todo adolescente que se preze, Courtney está putíssima, e Clara pede que o Doutor dê um jeito na autoestima da guria.

Seguindo a máxima “Cuidado com aquilo que se deseja”, o Doutor, em vez de dourar a pílula resolve levar a guria para ser “a primeira mulher a pisar na lua” – um feito desse vai fazer com que ela pare de reclamar, certo? No entanto, em vez de levá-las a um dia comum, pisar na bendita lua e cair fora, eles chegam em um dia crítico para a história da humanidade.

Em 2049 a lua está ficando mais pesada, e o desequilíbrio da gravidade está prejudicando a vida na Terra. Os programas espaciais na Terra estão quase completamente desativados, então uma equipe de astronautas semi-aposentados em um ônibus espacial que estava em um museu se encheu de ogivas nucleares para “matar a lua”. Dão de cara com o trio da TARDIS, metade do elenco é subaproveitado e morto por aranhas de borracha saídas de lojas de R$ 1,99, e logo se descobre que a lua é, na verdade, um ovo, prestes a eclodir.

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O climax do episódio – já anunciado na cena pré-créditos – chega na forma de uma decisão que precisa ser tomada: deixar ou não deixar a criatura que está dentro do ovo nascer. E, surpreendentemente, o Doutor se isenta de qualquer decisão. Cabe à Clara, Courtney e à astronauta Lundvik  – “the womankind” – chegar a uma conclusão sobre o destino da Terra. A pragmática Lundvik está segura em sua decisão de que o risco de deixar a criatura nascer é alto demais. Courtney e Clara não. Clara resolve jogar para a Terra (ou ao menos a face dele que estava, no momento, virada para a Lua) a responsabilidade. Que deixassem as luzes acesas se a intenção fosse deixar o organismo vivo. Que apagassem as luzes para encher a lua de bombas e assim ficar permanentemente com um cadáver em órbita (um pensamento meio mórbido, mas).

O que a maioria decide nem sempre é justo. Ou: Clara foi incapaz de concordar com a decisão final. Fosse pela “egomania” que o Doutor já havia apontado em Deep Breath, fosse por um senso de dever que transcende o senso comum, ela impede Lundvik de explodir a bomba. Nesse momento o Doutor reaparece e as leva para a Terra, para acompanhar de camarote a eclosão do ovo. Ele então profere um discurso poderoso sobre como a humanidade, após ter testemunhado algo tão belo, vai voltar a se interessar pelas estrelas, colonizar outros mundos e perdurar até o fim do universo e tudo parece estar bem. Mas não com a Clara. Ela finalmente havia sido pressionada para além dos seus limites. Os dois discutem em uma cena bastante emocional, e ela manda o Doutor sumir da vida dela.

 Kill the Moon usa elementos fantásticos e um cenário pseudo-científico para discutir pelo menos duas questões bastante humanas e atuais. A primeira delas diz respeito ao crescente desinteresse pela exploração espacial. Na trama, dez anos antes, a última incursão de humanos no espaço havia sido um grupo de mineradores mexicanos que estabeleceram uma base na lua, mas acabaram perdendo todo o contato com a Terra tempos depois. Ninguém foi ao socorro deles, ou mesmo se interessaram em investigar as causas do desaparecimento, uma vez que não havia mais transporte ou financiamento. As pessoas simplesmente pararam de ir para o espaço porque, né, pra quê acreditar em efeito estufa, derretimento de calotas polares, ameaças de asteroides e quais outros desequilíbrios naturais ou provocados que poderiam facilmente varrer nossa espécie do mapa? Vamos ficar de boas nesse planetinha desprotegido sem pensar em um plano B.

No entanto, depois dessa ameaça da lua, a humanidade voltará a se interessar pelo universo. Quando perguntado, ao fim do episódio, o que acontecerá em seguida, o Doutor tem uma epifania grandiloquente, digna de Time Lord que consegue ver através da malha do tempo e do espaço. Ele diz: “No meio do século XXI, a humanidade começará a rastejar até outras estrelas. Se espalhará por toda a galáxia e depois até às pontas do universo, e durará até o fim do tempo. E fará isso porque um dia, no ano de 2049, quando havia parado de pensar em chegar às estrelas, ocorreu algo que fez com que a humanidade olhasse novamente para cima, e não para baixo. Ea olhou para o negrume do universos e viu algo belo, maravilhoso, e não sentiu vontade de destruí-lo. Por um único momento todo o curso da história mudou. Nada mal para uma garota da escola de Coal Hill e a professora dela.”

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Já a outra questão… bem, é um assunto mais delicado. Houve quem pontuasse internet afora (na verdade várias pessoas) que Kill the moon contém metáforas sobre o aborto. Eu não concordo. Não acho que haja um subtexto sobre aborto na trama, e que o Doutor seja, ao fim das contas, contra ou a favor. Porque se fossemos por aí  a leitura desse episódio seria reducionista: é entregue às mulheres o poder da decisão mas, no final, o Doutor dá os parabéns à Clara por ela ter tomado a “decisão certa”, como se estivéssemos falando de perguntas simples, preto no branco sem áreas cinzas. A leitura seria ainda piorada pelo fato de o Doutor saber e decidir omitir que o ser que eclodirá do ovo não destruirá o planeta. Clara, felizmente, não engole o argumento furado do Doutor e joga na cara dele que, mesmo que não tenha sido intencional, que ele havia sido desonesto, condescendente e que a havia deixado sozinha para tomar uma decisão em que, ao contrário do que ele apregoou, não havia certo e errado.

 Kill the moon apresenta um dilema moral difícil, é verdade:  é uma medida de segurança preventiva versus o respeito por uma vida da qual nada se sabe, mas que está na iminência de começar. Mas não estamos falando sobre o aborto, esse seria um paralelismo enganoso, por pelo menos três razões:

1) Nenhum defensor do aborto, NENHUM MESMO, EM NENHUM UNIVERSO, aconselharia a interrupção da gestação no final da gravidez, com um bebê pronto, prestes a nascer.

2) Para além disso, o que que que seja que vai chocar daquele ovo muito provavelmente é, até onde sabemos, o único da sua espécie. É pensar menos como um aborto e mais como um potencial genocídio.

3) Por fim, a discussão sobre o aborto diz respeito mais à autonomia e escolhas da grávida. Se é lícito interromper a gravidez por n fatores, e se a pessoa é a grande responsável pela decisão, ou se cabe a autoridades superiores decidirem por ela. No entanto estamos falando de um ovo e não de uma “dragão/libélula/ espacial grávida” cujo corpo carrega um bebê.

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Questões abertas e outras minúcias dignas de nota.

 – Qual a real motivação por trás do Doutor ter escondido informações vitais que ajudariam na resolução do dilema? O Doutor realmente acreditava que havia ali uma única escolha possível (o que transformaria ele automaticamente numa encarnação mais burra que as anteriores)? Ele confia tanto assim na Clara, ele a respeita, como diz, ao fim do episódio? Ele estava tentando oferecer as circunstâncias necessárias (um dilema de vida ou morte!) para que a Courtney se sentisse especial? Ele estava se sentindo culpado por todas as interferências que fez na história da Terra? Ou ele estava simplesmente contrariando as acusações feitas por Danny Pink, uma visão na qual ele seria sempre o encarregado de dar ordens aos seus companheiros?

– Quem é que decidiu pela “morte da lua” na Terra? Todo mundo que tinha luz elétrica ou, como é mais provável, governos que deram ordens para que todas usinas energéticas fossem desligadas? Apesar de desrespeitada, no fim das contas, resta a dúvida de o quão verdadeiramente democrático esse voto foi.

– O quão convincente foi aquele discurso das áreas cinzas em que o Doutor não consegue enxergar o que vai acontecer? É claro, pode ser que ele estivesse falando a verdade, e as tais áreas cinzas indeterminadas sejam contrapontos aos “pontos fixos no espaço-tempo”. Mas… o Doutor mente. Também cabe a leitura de que esse foi apenas um recurso narrativo para se isentar da decisão, e ele sabia muito bem o que ia acontecer. Até porque, se pensarmos nesse episódio sem a intervenção do Doutor, ainda assim é provável que o ovo tivesse eclodido, liberando aquele monstrengo, uma vez que Lundvik provavelmente também teria sido morta por uma aranha-bactéria, junto com sua tripulação, e antes que conseguisse detonar as bombas.

– Dois astronautas morrem, mas não sabemos da Missy nesse episódio. O que me leva a pensar: a gente viu factualmente os personagens dessa temporada serem mortos? Há sempre cortes. Será que, em vez de recolher almas, a Terra Prometida tem recolhido corpos, e muito vivos, através de um teletransporte? Fica a questão no ar.

– Aliás, só eu que achei meio perturbadora a recusa da Courtney em chamar a Clara pelo nome, preferindo o tratamento de respeito usado para a professora… MISS… Missy? Estou extrapolando? É possível.

– E aquela música épica que começa a tocar na hora em que o Doutor faz o discurso sobre como o destino da humanidade mudou… ela tem potencial para ser o tema oficial do novo Doutor? Acho que tem.

– Presidente Courtney… presidente de onde? O Doutor falava a sério? Se falava, abrimos margem para pelo menos duas grandes mudanças na política mundial: 1) candidatos ingleses poderão concorrer à presidência de qualquer país ; 2) Vamos chutar a família real e o Parlamento inglês e tornar Courtney presidente porque sim.

– Outro furo: para além da ciência maluca desse episódio, o autor ainda não sabia contar, e não havia um amigo para dar um toque, na hora da edição do script: Lundvik parece ter, estourando, uns 50 anos. Nasceu então no ano 2000. COMO É QUE A AVÓ DELA POSTAVA COISAS NO TUMBLR? Só se fosse uma velhinha muito pra frentex que tinha um tumblr de crochê em 2000 ou qualquer coisa que o valha. Se fosse a mãe eu engolia o argumento.

– “Vou te bater tão forte que você vai regenerar” – Melhor fala da temporada.

– Por fim, só queria deixar aqui a minha admiração pelo belíssimo trabalho que foi a cena final entre a Clara e o Capaldi. Além de ser  bem escrita e de marcar a gota d’água para a Clara (que, até então, tinha aceitado de um tudo mais ou menos numa boa), os atores mandaram BEM PRA CACETE. Fiquei impressionada.

 

E vocês, o que acharam de Kill The Moon? Semana que vem nos encontramos de novo para discutir Agatha Christie no espaço. Até lá.

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15 pensamentos sobre “Spoilers, Sweetie! S08E07 – Kill the Moon

  1. Vai se foder, ma que ideia é essa de apaguem as luzes ou deixem elas acesas? Jesus. Que ideia de girico (e completamente inútil, porque a Clara acaba ignorando de qualquer forma). A Lundvik já estava fazendo um ótimo trabalho fazendo contraponto à Clara, não precisava dessa ideia inacreditavelmente estúpida. Exclamei alto: MEU DEUS QUE IDEIA IDIOTA!

    Uma ideia que caberia muito bem na galhofa da primeira temporada (que é perfeita), mas o episódio se propõe a ser todo grandioso, ui, vamo matar a lua, ui, escolhas da humanidade, ui, toma essa ideia idiota. Meu pai.

    Dali em diante o episódio ficou completamente esquisito. E concordo: como assim o bicho botou um ovo daquele tamanho? WHAT? Tudo bem que não é uma série de ficção científica, mas porra, o público não é tonto também, né. Francamente.

    Argh.

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  2. Gabriela, estou adorando suas resenhas, Parabéns pelos textos divertidos e que, mesmo compridos, são super gostosos de ler. Achei legal vc ter feito um “disclaimer” sobre os aspectos do episódio que não são cientificamente acurados. Vi em muitos lugares pessoas utilizando esses argumentos para desmerecer esse episódio, mas acho que ele está totalmente de acordo com a proposta da série. No mais, adorei o episódio Kill the Moon. Não concordei com a atitude do Doutor a princípio, foi meio que “se vira aí gente, fui!!”. No lugar da Clara eu tb teria me sentido abandonada naquele momento. Porém, depois que ele explicou sua motivação, eu vi o ato dele mais como de confiança na Clara para tomar decisões difíceis, do que de ensinar alguma lição para ela. A reação dela foi desproporcional, até por que, se o Doutor tivesse ficado, o que ele poderia fazer de diferente? Tirar uma solução milagrosa do bolso? (Se fosse o 11o Doutor, com certeza ele faria isso 😉 )

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  3. Muito bom o texto. Colocou muito bem sua visão sobre o episódio.

    Como o episódio levantou muitas questões, acho que os problemas científicos tornam-se secundários. Vou enumerar algumas coisas:

    1) Sobre a Courtney, achei uma crítica aos adolescentes e seus educadores. Enquanto Clara defende que para ajudar a sua autoestima deve-se dizer que ela é especial, o Doutor mostra que é fazendo-a realizar algo que a faz especial. Achei muito bom ele tirar o “ser especial” de uma condição essencial, ou natural, para as ações, ou seja, para a agir existencial.

    2) Concordo com você que a questão é genocídio e não aborto. Essa problemática, que é uma decisão impossível, de maneira tão simples foi belíssimo. Na filosofia contemporânea – sou professor de filosofia -, problemas impossíveis são colocados de maneira a mostrar a impossibilidade da racionalidade resolver estas questões. Ao colocar o problema entre um possível genocídio e os humanos, o problema foi colocado de uma bela maneira.

    3) Não acho que o Doutor mentiu, penso que ele realmente não sabia o que iria acontecer. Penso que os planos em que ele tem muita certeza do quer vai ocorrer é o momento em que ele mente. Ele deixar a resolução para as três foi muito interessante, pois ali, potencialmente, não havia um mais forte e mais fraco simultaneamente. Achei muito parecido com o que ele fez com os Zygons, criando uma situação em que ambos obrigam-se a resolver o problema. Claro, dessa maneira foi mais bruta. É como se o episódio dissesse: Não espero um deus ex-machina (o Doutor) decidir o que é impossível, você que deve fazê-lo!

    4) A eleição, da forma mostrada, realmente não foi democrática, e foi uma crítica sutil a democracia como a praticamos, no sentido que a decisão da maioria absoluta – mesmo parecendo por parte dos políticos – não necessariamente é a correta. Ainda mais quando propõe genocídio… Ao final, a melhor decisão foi seguir o impulso de vida, não o de morte. Muito legal essa questão. A série sempre discutiu e atacou o Nazismo, daí novamente ela propõe que meramente seguir a ordem da maioria em um genocídio proposto racionalmente pode ser a opção errada, necessitando seguir o impulso de vida, de generosidade…

    5) A reação da Clara foi muito interessante. Pela primeira vez ela teve uma decisão tão pesada em suas costas. A reação dela de receber um belo presente, que foi a liberdade de escolha é algo comum a todos nós. Todos somos nostálgicos da infância, na qual nossas ações não tem grandes consequências não temos responsabilidades. A Internet vive de nostalgia… Na nossa cultura, o mito de Adão e Eva mostra a conhecimento, que traz responsabilidade é algo divino, porém, uma maldição que nos leva aos sofrimentos existenciais. A Clara canalizou toda nosso medo da liberdade. Foi muito legal isso.

    O episódio teve problemas, concordo, mas a colocação destas questões foi tão bonito que para mim, supera os problemas. Claro que posso simplesmente estar viajando loucamente, mas ao final curti o episódio.

    Tudo de bom e parabéns novamente pelo texto! Desculpe o atraso em comentar.

    Tiago

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  4. Sabe… o que mais gosto em ler reviews como essa são as opiniões (inclusive nos comentários – onde em outros assuntos encontramos tudo o que há de pior pra se ler no dia). Aqui é ótimo. Talvez o que torne Dr. Who ainda mais legal seja o tanto que o povo constrói em cima. O episódio podem nem ser tudo isso – ou pode ser que o escritor dele sequer tenha pensado em metade dessas conclusões – mas a galera sempre tempera bem.
    Eu vi ali um episódio médio. Chatinho na metade do tempo, mais ou menos na outra metade e excelente no final. E foi justamente esse final o que melhorou a segunda metade, menos pela ordem cronológica e mais pelo que diz. Foi ali que considerei que o assunto não era só um ensejo polêmico e sim algo amarrado ao resto da temporada.
    Se eu acho que rolou uma metáfora sobre o aborto? Sim. Mas não foi só isso. Acho que rolou um multiuso… e que a mais importante de todas tem a ver exatamente com o final: acredito que o monstro, como todos durante essa temporada, é mais uma metáfora sobre o próprio Doutor. Tivemos o ciborgue suicida e aquele discurso que ora parecia ser com ele mesmo, ora com o monstro do dia, por exemplo. Tivemos também outros casos onde o tempo todo o assunto era mero espelho pro doutor.
    Agora temos um alienígena, único de sua espécie, que pode mudar todas as certezas que você tinha, que te obriga a uma escolha nada fácil de se livrar dele porque pode te ferir ou esperar que sua casca que quebre e algo magnífico surja dali. Acho que isso vale tanto pro monstro da lua quanto pra ele próprio, não? E é essa uma decisão que só Clara e a humanidade podem tomar: seguir ou não com Dr. Who.
    Acho que isso inclusive tem a ver com o Capaldi. Com aquele rosto de Pompeia que ele não sabe para que serve ou de que deve lembrá-lo, dessa mesma Pompeia onde interferir ou ser frio e racional estava em jogo também.

    Esse é um doutor em transformação, sem dúvidas. Um que zerou seu karma das (12) anteriores e agora precisa se reencontrar, assim como seu lugar. Esse ovo cedo ou tarde vai eclodir – o que vemos agora é um doutor em formação, afinal, e já sentimos as contrações do parto. O que sairá dali?
    Meu palpite é que estão insistindo muito na questão do soldado, seja pelo Pink seja pelo jeito pragmático e duro do novo doutor, seja pelo 50º aniversário ainda fresquinho na memória (até porque a questão do doutor/guerreiro encontrou sua redenção ao não explodir Gallifrey, certo?). Reviver tudo aquilo pode ter despertado o soldado novamente no espírito do doutor, e, uma vez que ele não tem mais do que se arrepender por ter sido um guerreiro, talvez por isso mesmo ele não tenha a mesma carga emocional que formava a doçura do 10º e do 11º.
    Vamos ver se a múmia do próximo ep. tem algo a ver com soldado, vida eterna e vampirizar uma pessoa atrás da outra, coisa que também tem tudo a ver com o que não queremos ver nele, né… 😀

    P.S.: Gabs, apesar da gente não ter visto ninguém morrer de fato acho que isso é mais para evitar a mão pesada do que pra fazer mistério. É dito no episódio anterior, se não me engano, que o policial atacado na história “didnt make it” (dito pelo atendente no corredor da Missy). Ou seja, foi pro beleléu e não conseguiu escapar. Me parece que só não a colocaram ali pra não pulverizar o foco do episódio com muita informação.

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  5. Se a sua premonição de que a música que toca no discurso do Doutor sobre a retomada da exploração espacial será o tema do 12º se concretizar, cairá como uma luva. E eu realmente gostei.

    Ótimo texto como sempre, Gabrieeeelaaa. *Leia com a voz do Thales, vulgo Ultra*

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  6. Achei muito show o episódio , realmente acertei ao achar que esse Doctor seria sombrio , e realmente ta uma versão bem House dessa vez , pouco se importando com as pessoas da terra que uma vez , ou melhor , VARIAS vezes deu a vida pra proteger , e interessante lembrar quando ele discute com a Clara e ela fala de falar com o presidente daquele tempo e ele simplesmente falar que não que tal autoridade nunca pisou ali não entenderia a situação pra descobrir depois que a estudante É a tal PRESIDENTE daquela época 😛 , alias ele ainda disse que não era ninguem especial , ta cheio de sacarsmo e ironia esse cara , to adorando essa encarnação , realmente mudou muito uma boa para exatamente pra diferenciar cada encarnação que de muitas formas tem do mais compreensivo ao mais indiferente , do cara mais alegre ao mais rabugento e etc , alias uma questão dessa temporada que muitas pessoas que viajaram com ele nessa temporada ja cantou a bola pra Clara que ele não é o homem que ela acredita que é , tanto que ela sempre tinha algo pra defender , mas realmente parece que a ficha caiu e ela viu que não é mais o Doctor que conheceu virou outra pessoa bem diferente e acho que o abandonara por isso

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  7. “Eu vô tá discordano” da Gabi aqui.
    Eu realmente acho que o debate é sobre aborto.
    O Doutor tomou uma péssima decisão na abordagem dele, mas ele, naquele momento, julgou que “a mulher” é quem decide (considerando a escolha de roteiro de deixar 3 mulheres decidirem, o uso deliberado de “womenkind” e o paralelo com a presidente dos EUA).
    A Clara representava o outro lado. O de que a decisão é conjunta. “Também é a sua Lua”, como “também é seu filho”.
    [e eu entendo a lógica da argumentação de que não faz sentido esse aborto no estágio final de gestação, mas acho que entra no “DW não é sci-fi”… é um detalhe estúpido, mas que não entra no debate… sim, deve ser considerado na vida real, mas esse detalhe, pra mim, não tira o fato de q a discussão do episódio é sobre aborto]

    Ou seja, era a mensagem de que aborto é um assunto a ser discutido. Nada de “certo” e “errado”. De “deve” ou “não deve” abortar. O episódio nem chega a uma conclusão quanto a quem deve decidir. Ele só joga no ar. Tudo no campo do metafórico.

    Só não consigo me decidir se foi um bom episódio.
    Dos 45 minutos, boa parte foi meio merda (a exploração da Lua e tal), a parte da decisão foi boa, e a cena final da discussão Doutor/Clara foi coisa de gênio. O saldo acaba positivo, mas ainda não consigo me decidir.

    ALSO: Parabéns pra Gabi por mais uma vez levantar questões que não vi ninguém falar. A ideia do abandono da exploração espacial é uma parte importante do episódio e ninguém fala. (eu msm nem tinha ligado pra isso, assustado com “….. aborto, em DW????” hehehe)

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  8. Realmente, um episódio para fazer pensar. E em muitas coisas!
    Também conclui que o “apagar de luzes” na Terra foi mais ordem dos governos do que uma votação realmente “do povão”, e a gente sabe que desde os tempos de Harriet Jones pessoas no poder podem tomar decisões bem duras e sangrentas, sempre pensando no “bem geral”.

    Devo ser muito desligada, porque nunca me ocorreu nenhum paralelo com a questão do aborto. Potencial genocídio, até pensei nisso. Mas aborto sempre me faz pensar em direito pessoal da grávida sobre seu corpo X direitos do não nascido – o que é dilema moral pesadíssimo, diga-se de passagem. E aqui não tinhamos uma gestante, mas sim um ovo de uma espécie desconhecida.

    Quanto a discussão entre a Clara e o Doctor, entendo a raiva dela, porque realmente não consigo imaginar 11th agindo do mesmo jeito que sua atual encarnação. Os modos um tanto brutos do 12th me fazem pensar que misturaram um Sontoran em seu código genético. Ou que ele deixou de tomar sua dose regular de “simancol” desde a regeneração.
    Até percebo em outras encarnações passadas essa vibe “hunf… humanos” que o atual Doctor exibe. Mas talvez eu tenha ficado mal acostumada com o jeito mais caloroso de 9th, 10th e 11th, e esteja apenas estranhando esse Doctor sem noção

    Finalizando: na próxima vez que eu comprar um Kinder Ovo, torcerei para sair um dragão…. juro que cuidarei da criatura com desvelo (já o ovo… nham.. nham)

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  9. Entendo a raiva da Clara naquela cena final, mas acho que ela exagerou ao mandar o Doctor embora. Mas, vamos por partes, primeiro eu não fiquei nada surpresa quando ele resolveu não se envolver na situação, afinal, esse é um discurso frequente dele, embora ele nunca consiga cumprir haha…então eu sabia que em algum momento ele iria voltar e influenciar os acontecidos de alguma forma, também acho bem a cara dele “testar” a bondade, lealdade e força das pessoas. O que eu achei esquisito foi ele fazer isso com a Clara a essa altura do campeonato, pois ela não precisa mais provar nada pra ninguém, o que ela fez no final da 7º temporada e no especial de 50 anos já a torna a companion mais importante de todas, me pareceu algo muito gratuito e incoerente da parte do Doctor, achei muita filhadaputagem da parte dele. As vezes eles parecem estranhos um ao outro e não era isso que eu esperava, eu achava que ela e o 12º seriam muito apegados (assim como a Rose e 10º, mas sem o romantismo), mas não é isso que estou vendo, só espero que a Clara tenha uma despedida digna, pois ela merece!

    A gente pode inferir também que ele já sabia tudo que ia acontecer, achei estranho a Tardis se materializar de volta justamente no momento depois da Clara ter poupado o bebê. Ele pode ter viajado ao futuro em algum momento qualquer, tomado conhecimento da história e rolou de novo aquela inversão e confusão de causa e consequência.

    Sobre a música épica (se for a mesma que eu tô pensando), não é a primeira vez que ela toca e também tô torcendo para que seja o tema desse Doctor, ela é muito foda.

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  10. Uma coisa que estou gostando muito no Capaldi é que ele realmente tem uma personalidade bastante diferente dos seus antecessores. Um exemplo é quando eles encontram o Danny Pink criança, em Listening. O menino pede uma história para dormir, o 11° sentaria do lado da cama e contaria histórias e acabaria não deixando o menino dormir, em contrapartida o 12° usa um truque para adormecer o garoto logo. E eu acho isso uma coisa muito boa, que vai de encontro ao discurso da vassoura, que ele fez em Deep Breath, e por isso as atitudes que ele tomou nesse episódio para mim fazem bastante sentido.

    Acho que a temporada tava passando pelo processo de “Encontrar o Doutor”, o que meio que reflete o porque a roupa dele mudou dó terceiro episódio em diante. No próximo episódio, em que veremos o Doutor sem a companion, acho que é quando poderemos ver a proposta final desta nova encarnação.

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  11. Bem, que eu sabia, o gênero ficção científica é aquele que justifica os seus acontecimentos, por mais mirabolantes que sejam, com termos científicos. Se utiliza desses termos científicos para extrapolar a nossa ciência ou simplesmente criar uma nova, que eu imagino que seja aquilo que chamamos de pseudociência. Nesse gênero, a “ficção” se sobressai mais que “científica”, é claro que existem obras que são mais rigorosas quanto ao uso da ciência, fazendo algo mais verossímil, mas também temos exemplos de coisas que são absurdas à nossa atual ciência, não estando muito distante da fantasia. Doctor Who se encaixa facilmente nessa segunda categoria, e não é nesse episódio que a gente descobre isso. Na verdade, eu apanhei muito dessa série por causa desses “errinhos”, incoerência e falta de continuidade, eu via isso e ficava puta, porque eu tenho esse lado nerdice de querer tudo explicadinho pra ser o mais real possível, graças a Deus eu consegui superar e não abandonei a série! hahaha…
    Então, resumindo, Doctor Who é uma série de ficção científica sim!

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  12. Achei um ótimo episodio esse, uma das coisas que eu mais gosto nessa serie, é que ela te faz pensar (coisa que é cada vez mais difícil, mesmo com tanta serie por ae). Polemicas a parte, sobre deixar ou não a escolha para os humanos, finalmente vemos o quanto a Clara é um personagem vazio, por mais background que lhe é dado. Ser um companion não é só viajar pelo universo com o bonitão (ou o paizão), as vezes com risco de morte. Ao aceitar o convite, vc tem que aceitar, pensar e tomar decisões, coisa que a Clara aparentemente não gosta e nem quer, além de ter se apaixonado por figuras autoritárias, que tomam decisões por ela quase sempre (Em The Name of the Doctor, sua decisão foi mais impulsiva, por amar o Doutor).
    O Doutor pode ter pego pesado ao jogar essa decisão a elas? Pode, mas foi algo necessário. Pra crescer, é preciso deixar seu porto seguro e ter que fazer decisões, algumas que nem sempre vc vai querer. Como dito, ele não é humano, não pode manipular nem tomar decisões que influenciem o destino deles (a não quer seja contra Daleks, Cybermans e etc).
    Torço muito para que a Clara saia, o personagem já tá insuportável (serio mesmo, esse relacionamento dela com o professor é algo booooring) ou que ela odeie o Doutor por algo que acontecerá e se torne a Missy futuramente, possivelmente a grande vilã.

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